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Medo domina bairro após duplo homicídio

Sem motivo aparente, dois rapazes foram executados a tiros na noite da última terça-feira, na rua Benedito de Oliveira Lousada, no Parque São Bento. As vítimas conversavam em frente a um bar, quando foram alvejadas por vários disparos deferidos por indivíduos que passaram em um veículo não identificado. Os dois jovens morreram na hora. Um deles, identificado como Pietro de Brito Macedo, 27 anos, recebeu onze tiros. O outro executado foi Bruno Barros da Luz, 18 anos, que foi atingido por dois projeteis e antes de morrer ainda tentou se livrar dos bandidos, correndo para um corredor da residência que fica atrás do estabelecimento comercial. De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, por volta das 23h, chegou a informação via Copom de que havia registro de disparos de arma de fogo na rua Benedito de Oliveira Lousada. Ao chegar ao local, os policiais militares se depararam com a área isolada por cinco viaturas da Guarda Civil Municipal. A PM encontrou uma das vítimas estirada na calçada e outra no corredor do estabelecimento – ambos já mortos. 

Ao questionar os guardas municipais sobre o que teria ocorrido, foram informados que indivíduos que passaram pelo local em um carro prata (não identificado) teriam sido os autores dos disparos. 

A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia. Foram encontrados todos os cartuchos que acertaram os dois rapazes e as portas do bar e de um outro estabelecimento comercial vizinho. Após a liberação do local do crime, os corpos das vítimas foram recolhidos e levados ao Instituto Médico Legal (IML). 

Medo e tristeza 

No último domingo, um guarda municipal e um outro homem foram mortos no Parque São Bento. Na noite de terça-feira, mais dois jovens foram executados. A sequência de crimes deixou um clima de medo, insegurança e tristeza entre os moradores do bairro. Nesta quarta-feira, alguns comerciantes da rua onde Pietro e Bruno foram executados, tentavam retomar a rotina, apesar do ambiente de tensão. 

No comércio que fica ao lado do bar onde os jovens foram executados e que também teve suas portas perfuradas pelos tiros, os proprietários dividem os sentimentos de medo e tristeza. “Foi horrível. Nós moramos nos fundos e só escutamos os tiros. Além dos disparos ouvimos barulhos da freada e da arrancada de um veículo. Quando saímos, vimos os dois caídos no chão”, contou o vizinho do bar, que não quis se identificar. 

Sua esposa conta que além do medo, também ficou a revolta. “Eu conhecia esses meninos desde que eles nasceram. Eram trabalhadores. Um era pedreiro e outro ajudava o pai na instalação de divisórias. Não imagino que eles teriam envolvimento com o crime”, relatou. 

Outro morador do bairro afirmou que nos últimos meses a violência aumentou na região. “Até o meio do ano passado, o bairro era tranquilo. Mas agora está virando rotina esse tipo de barbaridade. Eu também conhecia os dois rapazes. Eles eram trabalhadores. Não consigo imaginar uma razão para o que aconteceu”, afirmou o morador que também não quis se identificar.  Outro vizinho ressaltou que a presença da PM e da GM são mais frequentes quando acontece algum tipo de crime. “Sempre que morre alguém, os policiais ficam aqui um tempo, mas depois passa. Daqui a pouco, ninguém nem lembra de nada. Vira estatística, mas acho que é preciso achar quem fez isso. Morreram dois inocentes”, disse. Enquanto esteve no Parque São Bento, a reportagem do Cruzeiro do Sul avistou uma viatura da Polícia Militar realizando patrulhamento na área. 

Escapou por pouco 

O proprietário do bar onde os rapazes foram mortos afirmou que minutos antes tomava cerveja com as vítimas e que só não morreu porque decidiu fechar o bar e guardar as garrafas no depósito. “Estou meio chocado. Eu fechei as portas por volta das 23 horas, peguei duas garrafas que havíamos tomado e entrei no corredor para guardá-las na caixa. Meu filho pequeno estava comigo e também entrou. Quando eu estava retornando para me despedir dos dois, resolvi passar pelo banheiro que fica no corredor. Foi quando ouvi os disparos. Antes percebi que um carro freou bruscamente. Em seguida foram efetuados os disparos e o carro voltou a arrancar. Quando abri a porta, o Bruno caiu nos meus braços já expelindo sangue pela boca. Não pude fazer nada”, detalhou o proprietário do estabelecimento. 

“Ao mesmo tempo que agradeço a Deus por estar vivo, fico triste por ter perdido os dois amigos. Também admito que estou com medo, afinal, eu também poderia estar morto”, complementou.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

16 de janeiro de 2014 por admin
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