Por meio de sanção publicada nesta semana no Diário Oficial da União, a presidente Dilma Rousseff reconheceu a música gospel e eventos relacionados ao gênero como manifestação cultural. Com isso, projetos de artistas, padres e pastores que fazem shows de música religiosa poderão se inscrever no Ministério da Cultura para obter recursos pela Lei Rouanet, que dá incentivo fiscal a empresas que financiam eventos culturais.
O ex-deputado e pastor evangélico Robson Rodovalho (PP-DF), autor do projeto, explica que a ideia é corrigir “uma distorção e uma discriminação” que a música religiosa sofria. “Em aniversários de cidades, quando alguma prefeitura queria contratar um show de música evangélica, o Ministério Público vetava porque entendia que o Estado, por ser laico, não deveria apoiar uma religião. Temos tantos processos contra essas manifestações que a única saída era considerar esse tipo de música cultura”, explica.
Ele não acha, no entanto, que possa haver o favorecimento de religiões, porque a lei veta projetos de autoria de igrejas. “Não acho que haverá beneficiamento de igrejas porque não se ganha nada com isso. Tanto que, o que hoje acontece em muitos festivais de música é haver uma noite para artistas católicos e evangélicos, o que é legítimo.”
Apesar de o texto publicado no Diário Oficial não especificar que tipos de música seriam considerados gospel, o deputado explica que trata-se de toda música que tiver temática religiosa.
Rodovalho salienta que a lei beneficia o gênero porque o iguala às outras expressões culturais. “Antes, a Coca-Cola não ia patrocinar um evento evangélico porque não patrocina religiões nem partidos, mas o nosso público também consome, e devia ser respeitado como os outros. Um evento como a ‘Marcha para Jesus’, que não era patrocinado porque não podia, agora vai poder”, diz. “É preciso que haja também uma mudança de mentalidade das agências [de publicidade], para tratarem esse segmento como público.”
Para o diretor da gravadora gospel “Canzion”, Daniel Nunes, a lei pode incentivar o aumento de shows gospel, porque o gênero “está na moda”. No entanto, o fato de a música religiosa no país ainda estar muito ligada à religião –diferente do que ocorre nos Estados Unidos, que é mais considerada como um gênero musical– ainda pode afastar patrocinadores particulares: “As marcas não querem se associar a essas bandas. A cultura de considerar música gospel como gênero musical vai demorar muito para mudar no Brasil. Não acho que a lei vá mudar isso, mas pode ajudar”, diz.
Fonte: UOL
Imagine descobrir, de uma hora para outra, que seu vizinho é o lobista que derrubou o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, e ajudou a gerar mais um desgaste ao governo Dilma. É o que aconteceu com alguns moradores do Jardim América, zona sul de Sorocaba. O nome em questão é o de Júlio César Fialho Fróes, jornalista e cientista político formado em 1982 pela Universidade de Brasília que, apesar do bom trânsito no Distrito Federal, vive no bairro nobre de Sorocaba.
Nascido no Paraná, Júlio é acusado de fazer lobby no Ministério da Agricultura – onde teria manipulado licitações para beneficiar empresas e subornado funcionários públicos com pacotes de dinheiro, segundo denúncia da revista “Veja.”
O professor Júlio Fróes, como gosta de ser chamado, mudou-se para Sorocaba em 2006 com um projeto ambicioso: montar uma faculdade de administração pública. Depois de prestar consultoria ao Senado, criou o Iaesp (Instituto Antares de Ensino Superior e Projetos Educacionais). Apesar dele estar registrado no endereço de sua casa, não há qualquer placa no local.
Mas o plano não saiu como o planejado: idealizado para ser um dos polos do ensino superior na região, o Iaesp de Fróes se restringiu mais a aplicar seminários sobre política a prefeituras e assembleias, como ocorreu por duas vezes em Avaré.
Luís Zulubcov, advogado de Júlio, diz que ele está sob efeito de calmantes. “Ele ainda está abalado emocionalmente”, afirma ele. “Eu preciso ter acesso aos autos para poder defendê-lo das acusações”. Por telefone a esposa de Júlio, Simone, disse que tudo o que está havendo é uma vingança da revista Veja; durante entrevista, Júlio deu uma “gravata” em um editor.
Viagem a Paulínia
A esposa de Júlio informou nesta segunda (22) pela manhã, por telefone, que o marido estaria fazendo uma viagem para Paulínia e disse que em razão dele “não ter mais sossego” após as denúncias e a queda do ministro, ele teve de mudar o número de seu telefone celular. “Nem eu tenho o número, é só ele quem me liga”, afirmou.”
9 mi
é o valor do contrato intermediado por Júlio Fróes como representante da Fundação São Paulo, com o Ministério da Agricultura. Para o fechamento do contrato não teria sido realizado processo licitatório
Vizinhos descrevem Fróes como ‘popular’ e ‘simpático’
O BOM DIA percorreu a rua Santiago, onde funciona o Iaesp e mora o lobista Júlio Fróes, alvo das denúncias de corrupção no Ministério da Agricultura. Os comerciantes o definem como “comum”, “simpático”, boa praça” e “popular”, apesar de “reservado”. Fernando Oliveira Santos, 60, ficou surpreso com as revelações. “Ele sempre cumprimenta a gente. Ele e a mulher são muito dados. O cara é legal”, disse. A vizinha do casal Fróes, Maria José dos Santos, 56, ficou decepcionada com as notícias negativas sobre o lobista. “É estranho saber disso, mas no dia a dia quase não tenho contato com os dois. Para mim que sou vizinha admito que eles nunca trouxeram qualquer tipo de problema.”
Fonte: Bom Dia Sorocaba
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Sorocaba nesta terça-feira para a inauguração da nova fábrica de máquinas agrícolas da Case New Holland em parceria com o Grupo Fiat. No entanto, o investimento de R$ 1 bilhão e as mais de 4 mil vagas de emprego que serão geradas acabaram-se tornando coadjuvantes do primeiro encontro entre os candidatos à presidência nas eleições de 2010: o atual governador do Estado de São Paulo, José Serra e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Sobre o palanque, os dois candidatos priorizaram metas e caminhos diferentes no discurso mas, igualmente, tentaram se aproximar do eleitorado – mais de 800 funcionários que hoje trabalham na Case – com frases de efeito e simpatia.
Fonte: agência Bom Dia