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Músicos questionam a substituição de instrumentos por máquinas

Eles são (quase) tão bons e são muito mais baratos: sintetizadores estão se multiplicando nas orquestras dos musicais da Broadway, mas os músicos reais, os puristas, não pensam desta maneira. Os aparelhos são encontrados principalmente em teatros provinciais ou em espetáculos em turnê. Mas quando os produtores de ‘West Side Story (‘Amor, sublime amor), a mítica comédia musical americana produzida em Nova York, anunciaram que três violinistas e dois violoncelistas seriam substituídos por computadores, “foi a gota d’água”, declarou Paul Woodiel, um músico da orquestra.

“Fui aluno e amigo de Leonard Bernstein (compositor de ‘West Side Story’) e tenho quase certeza de que ele jamais aceitaria uma coisa destas”, lamentou o violinista. “Não fazemos shows ao vivo em bares, não estamos em Las Vegas, estamos na Broadway”, disse com acidez. “Leonard Bernstein foi o maior músico americano”. Depois de sair do musical, o violinista publicou um artigo corrosivo no ‘New York Times’ para denunciar a “invasão dos sintetizadores artificiais”. Usadas com sucesso em diversos estilos musicais há décadas, as máquinas estão agora entrando no universo da música clássica.

Os computadores “se tornaram excelentes na reprodução de sons como percussões, baixos, instrumentos de cordas”, destacou Mike Levine, redator da revista ‘Electronic Music Magazine’. “Eles podem agora modalizar qualquer tipo de piano”. “Apesar de os computadores permitirem que grupos amadores ou pequenos estúdios encontrem uma solução mais barata, eles são uma ameaça para músicos profissionais, que enfrentam uma concorrência imbatível em termos de custo”, segundo Levine. “Tudo isso é uma questão de dinheiro: os produtores querem economizar ao máximo”, acusou. “De qualquer maneira, sempre foi assim”.

Os sintetizadores e outros programas de informática não são sempre criticados: para Paul Henry Smith, da ‘Fauxharmonic Orchestra’, um grupo com base em instrumentos digitais, as novas tecnologias permitem a ampliação do campo de experimentação musical. Para tocar música, Paul Henry Smith utiliza sons ‘samplerizados’, vindo de um banco de dados de mais de dois milhões de notas ‘verdadeiras’ pré-registradas, com as quais ele brinca como quiser. “Você não sabe bem o que vai acontecer, mas o computador é tão maleável que parece impossível conhecer seus limites”, explicou, admitindo que os instrumentos virtuais não são capazes de competir com os músicos reais.

Na verdade, para a crítica do ‘New York Times’, Barbara Hoffman, recorrer aos computadores em certas obras como ‘West Side Story’ engana os ouvidos dos espectadores. “Quando você paga pelo ingresso mais de cem dólares, é normal querer escutar a música que o Leonard Bernstein tocar da maneira como ele imaginou”, continuou. “Para algo tão sagrado quanto este trabalho, um dos mais belos já escritos, é uma blasfêmia”. Paul Woodiel vai ainda mais longe: para o violinista, tocar música clássica com um sintetizador, “é como fazer amor com um cadáver”.

Fonte:www.cruzeirodosul.inf.br

4 de agosto de 2010 por antena1

Chávez põe Igreja Católica na mira após críticas ao seu governo

A Igreja Católica virou alvo de fortes ataques do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que pediu para revisar os privilégios do Vaticano no país, tachando de “retrógrada” uma parte da entidade eclesiástica, depois que um cardeal criticou o rumo de seu governo.

 Na quarta-feira, Chávez instou seu ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, a estudar o convênio entre a Venezuela, país de maioria católica, e a Santa Sé para assegurar que a Igreja de Roma não tem “privilégios” com relação a outras igrejas, o que violaria a Constituição, segundo o presidente.

 ”Vamos estudar qual é o convênio” assinado há décadas, anunciou Chávez, pedindo para verificar se este acordo “dá à Igreja católica um privilégio sobre outras igrejas” porque “a Venezuela é um Estado secular”.

 A queda-de-braço verbal entre a Igreja e o chefe de Estado se intensificou pelas recentes declarações do cardeal venezuelano, Jorge Urosa Savino, atual arcebispo de Caracas, para quem o presidente “passa por cima da Constituição” e quer levar o país “pelo caminho do socialismo marxista, que é totalitário, e conduz a uma ditadura”.

 Suas afirmações fizeram com que Chávez o qualificasse de “troglodita” e pró-golpista e o desafiasse a demonstrar, perante um tribunal, que seu governo viola a Carta Magna.

 ”Te chamei de troglodita e volto a te chamar de troglodita”, reiterou o presidente venezuelano na quarta-feira.

 Depois, dirigindo-se também a um certo setor da Igreja, Chávez disparou: “caso não tenham entendido, são uns retrógrados (…) Deveria exortá-los a tirar a batina atrás da qual se escondem covardemente”.

 Em um comunicado, a Conferência Episcopal venezuelana mostrou interesse em “virar a página” e “depor a atitude de confronto”, ao mesmo tempo em que pediu ao governo “um entendimento apesar das diferenças de ideias”.

 Esta subida de tom entre a Igreja e o presidente venezuelano ocorre a dois meses e meio de importantes eleições legislativas, nas quais o governo quer manter a maioria na Assembleia Nacional (Parlamento unicameral).

 Chávez, que se diz católico convicto e considera Jesus Cristo o “primeiro socialista” da História, defende uma Igreja encarnada no povo e assegurou, na quarta-feira, que não considera o Papa “nenhum embaixador de Cristo na Terra”.

 ”Se, em todo caso, tivesse Cristo um embaixador, não é outro senão o povo”, desconversou.

 As declarações do presidente contra a Igreja católica venezuelana provocaram uma reação em cadeia e muitos ministros, deputados e representantes de outras instituições públicas saíram em defesa do chefe de Estado.

 Para a presidente da Assembleia Nacional, Cilia Flores, os representantes da Igreja Católica venezuelana “têm tentado ussar a fé de tantos milhões de fiéis, manipulando-os com a mentira”.

 ”Na Venezuela temos uma Igreja arrastada que não está ao lado do povo, que se opõe à revolução social, que só quer semear medo e ódio na sociedade venezuelana falando de um falso comunismo”, declarou, por sua vez, o deputado Carlos Escarrá, antes que os representantes aprovassem um documento de repúdio às declarações do cardeal Urosa.

 Para Baltasar Porras, arcebispo de Mérida (oeste) e um dos representantes da Conferência Episcopal Venezuelana, a Igreja Católica sofre, na Venezuela, uma campanha de “descrédito”.

 ”Não pode ser que declarem uma política de extermínio, de levar todo mundo pela frente em uma espécie de enxurrada na qual não restem senão ruínas para, a partir daí, edificar o projeto político que se quer com base na miséria e na incapacidade dos que ficarem vivos”, lamentou o arcebispo.

Fonte:www.cruzeirodosul.inf.br

16 de julho de 2010 por antena1
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