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No dia de jogos do Brasil, o comércio vende 30% menos

Se é que existe um aspecto positivo na eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da África, ele pode ser apontado na economia do País. O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Sidney Benedito de Oliveira, afirma que os dias em que o Brasil joga podem ser comparados a feriados. O comércio é um dos setores mais prejudicados com os horários diferenciados e a queda no movimento, afirma a Associação Comercial de Sorocaba (Acso) gira entre 20% e 30%. Nos shoppings, no entanto, por conta da estrutura física diferenciada, a estratégia foi aproveitar as partidas como eventos e, mesmo as lojas ficando fechadas durante os 90 minutos de jogo, usar a praça de alimentação para a transmissão dos jogos é uma forma de aumentar o número de compras por impulso que se concentram principalmente após o jogo.

Em Sorocaba as lojas da área central seguiram os horários bancários, assim, quando os jogos eram pela manhã, as lojas fechavam às 10h e reabriam apenas às 14h. Caso a partida fosse pela tarde, às 14h os funcionários eram dispensados para ver a disputa em casa. O presidente da Acso, Braz Cassiolato, afirma que quando a Seleção Brasileira entrava em campo, os consumidores sumiam da rua. “Quando o jogo era a tarde, o cliente vai pela manhã no Centro mas não volta mais. Agora, se o jogo é pela manhã é pior ainda pois o pessoal nem aparece nas ruas”, comentou ele. Por conta do baixo movimento, a queda nas vendas durante esses dias, afirma ele, gira entre 20% e 30%, aproximadamente.

O telão montado na praça Coronel Fernando Prestes, no Centro da cidade, foi uma parceria entre a associação e a fabricante local de Coca-Cola – patrocinador oficial da Copa – ajudou a evitar que o movimento fosse ainda menor, afirma Braz. Segundo ele, sobretudo quando os jogos eram pela manhã, esta foi uma forma de atrair torcedores e possíveis consumidores.

Segundo o relatório das consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC), no caso do jogo do Brasil contra Portugal, por exemplo, no último dia 25, uma hora depois do início da partida, as consultas caíram 94,1%, retornando gradativamente, mas sem voltar ao campo positivo. No caso desse mesmo dia, às 18 horas, o número de consultas ao serviço ainda era 10% menor que em dias normais. O economista da ACSP, Marcel Solimeo, diz que esse movimento retorna em parte, especialmente nos produtos essenciais ou nas compras programadas.

Compra por impulso

Investimentos em decoração e aposta nas compras por impulso foram algumas das estratégias traçadas pelos shoppings do País, afirma a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). O diretor de Relações Institucionais da entidade, Luís Augusto Ildefonso da Silva, destaca que em muitos desses condomínios comerciais espalhados pelo país a praça de alimentação foi usada para a transmissão das partidas. “É lógico que no horário dos jogos as lojas ficaram fechadas pois não haveria comprador, mas a reabertura era logo em seguida e, com as vitórias da seleção, ficava mais fácil das pessoas entrarem no clima e fazerem compras por impulso”, comentou ele.

As compras por impulso são aquelas feitas sem planejamento mas, segundo Silva, tratavam-se de produtos de baixo valor como uma camiseta ou lembranças com motivos nacionais. “É bom que se destaque que o consumidor brasileiro está comprando mais, mas está mais consciente pois a inadimplência está caindo”, avalia o diretor da Alshop. O fechamento das lojas dentro dos condomínios comerciais era feito apenas durante o horário do jogo.

Apostando neste comportamento por parte do consumidor, o investimento mais pesado dos shoppings, afirma o diretor, foi em decoração e publicidade com tema de Copa do Mundo. Além disto, lembra ele, os lojistas reforçaram os estoques com produtos “verde e amarelo”. “Mas eu acredito que mesmo com bastante coisa em estoque, os comerciantes já tiveram o retorno necessário pois as vendas até aqui já foram muito bem”, argumenta.

Produção

Com certeza o nível de produtividade da economia do país como um todo diminui em dia de jogo. É como se fosse feriado, um dia a menos na produção do país e isto afeta inclusive o PIB (Produto Interno Bruto), afirmou o delegado do Conselho Regional de Economia, Sidney Benedito de Oliveira. Ele lembra que apesar de não haver nenhuma lei obrigando as empresas dispensem os trabalhadores para acompanhar as partidas, a dispensa já pode ser considerada uma questão cultural. É melhor liberar até para não ter um descontentamento com a empresa, aconselha o economista que também é professor na Universidade de Sorocaba (Uniso).

O futebol é conhecido como uma paixão nacional do brasileiro e, neste ano o horário das partidas que o Brasil jogou também atrapalharam a economia. Oliveira comenta que os jogos pela manhã eram pior pois quebravam o ritmo de trabalho. Liberar o funcionário para ele voltar depois do jogo é complicado pois ele volta com a cabeça no jogo ainda, ponderou. Além de prejudicar a produção, o professor destaca que há um custo operacional para esses dias de marcha lenta. Ele explica que as empresas, nessas épocas, costumam se adequar aos horários e isto tem um custo.

Fonte:www.cruzeirodosul.inf.br

5 de julho de 2010 por antena1
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