Pirofagia, malabares, interpretação, música: acontece de tudo um pouco na performance do Bola de Meia, banda que venceu a terceira edição do Festival de Inverno do Botequim do Bozó e que abre, no próximo dia 19 de setembro, o show que o “Charlie Brown Jr.” faz em Sorocaba. A trupe desenvolve uma proposta bastante variada: toca reggae, hip-hop, samba-rock, forró e algo que chama de “derivados da música popular brasileira”.
Tudo começou há dois anos, quando o MC Poft (um dos quatro da formação) teve a ideia de juntar os bits dos Djs com a pegada da banda instrumental, fazendo rimas dentro do free style (como é chamado o improviso nesse tipo de trabalho).
Até aí, pouca novidade. Não são assim tão raros, afinal, os conjuntos que atuam nessa vertente. A virada no caso do Projeto Bola de Meia se deu com a chegada do ator e diretor Márcio Lima. Foi ele quem sugeriu ao conjunto que incrementasse as apresentações com elementos da arte circense.
Mais do que isso, o Bola abriu espaço para skatistas, surfistas, grafiteiros e atores de teatro de rua. Por conta disso, começou a conquistar o seu espaço e a cumprir agenda nos principais espaços alternativos da cidade e da região.
Quem assistiu à final do encontro promovido pelo Botequim do Bozó, em agosto, gostou de ver o desempenho do grupo na rua. “A gente brincou com quem passava por ali, abordamos alguns carros, tudo para reforçar nossa proposta”, comentou Poft. “Neguim e Karatêr Kid” foi a música escolhida pelo júri. Faixa do CD demonstrativo que o conjunto produziu, a canção fala do cotidiano dos jovens da periferia, da realidade com a qual eles convivem. Não soa, contudo, panfletária.
Poft diz que o discurso contra a exclusão e a crítica social podem ser feitos de forma menos densa, com mais leveza. “Não somos alienados, ou indiferentes à causa, mas não é preciso bater sempre na mesma tecla, repetir o que muitos já sabem. Nossa função é levar alegria ao público”. Musicalmente, o Projeto Bola de Meia pode ser definido como uma “mistura” de estilos, na qual os integrantes tocam cavaquinho, guitarras, usam samplers, picapes e bateria, entre outros instrumentos. Nas cerca de quinze composições já gravadas, o conjunto visita gêneros variados, o que permitiu que convidasse artistas locais para participações especiais, caso do Maria Madame. “Eles têm muito a ver com aquilo que fazemos”.
Na batalha para alcançar o sucesso, a carreira da banda ganhou impulso com os shows “Natural Surf”, e “Circo que Não Existe”, este último junto com os “Caras Pintadas”. O grupo já abriu apresentações de grupos como “Planta e Raiz”, “Expressão Regueira”, “Usina Reggae”, “Damata” e “To Fly”. Enquanto cumpre a agenda, o Bola de Meia trabalha duro para conseguir gravar o primeiro álbum e DVD. “Não é fácil, mas vamos insistir e esperamos contar com o apoio de quem aposte no nosso potencial”, comentam. A banda é formada por Durval Groove, Marinho Gordão, Rafael Balduino, Rafael Sudário, Dj Subrinho, Poft, Spok, Marcio Nanico e Bugão. Quem quiser conhecer o trabalho do grupo, pode consultar o endereço www.myspace.com/projetobolademeia ou, ainda, manter contato pelos telefones (15) 9714-9086 e 3239-9086.
fonte:www.cruzeirodosul.inf.br