Sorocaba vive um surto de dengue. As transmissões dentro do município (casos autóctones) cresceram 275 vezes ou 27,4 mil % de janeiro até agosto, comparadas com o mesmo período do ano passado. Em 2010, além dos 275 autóctones houve outros 82 casos importados, enquanto no mesmo período de 2009, a doença fez um único autóctone e cinco importados. A soma dos importados com os autóctones resulta em 357 vítimas sorocabanas neste ano, contra seis no mesmo período de 2009: aumento de quase 60 vezes ou 5.850%. A situação inseriu Sorocaba no HealthMap, um mapa digital da Saúde mantido pelo governo norte-americano para alertar estadunidenses e outros povos sobre os lugares com maior risco de contaminação no mundo. Segundo a Secretaria municipal da Saúde, a dengue nunca provocou morte em Sorocaba.
O vírus continua fazendo vítimas até mesmo neste inverno, o período mais fácil do ano para eliminar criadouros do mosquito transmissor, devido à estiagem. De junho até a última quarta-feira foram registrados seis novos casos em Sorocaba, dois deles autóctones, enquanto em 2009 não houve casos de junho a novembro. Por tratar-se de uma doença cíclica, a Secretaria da Saúde da Prefeitura explica que a elevação do número de casos em 2010, em relação ao ano anterior, era prevista em todo o país e isso foi motivo de alerta do Ministério da Saúde, desde meados do ano passado. O secretário da Saúde, Milton Palma, explica que o avanço está diretamente relacionado com o tipo de vírus em circulação e a prevenção, que ‘‘não é tarefa exclusiva do poder público, mas, principalmente, da população em geral, já que a maioria dos criadouros, comprovadamente, está dentro das residências.’’
Apesar de milenares crescimentos percentuais, para a Secretaria municipal da Saúde, o coeficiente de incidência desde o início do ano pode ser considerado irrelevante em comparação com os números em todo o Estado e outras regiões do País. Milton Palma compara que, enquanto Sorocaba sofre com um surto, outras cidades do mesmo porte registraram casos de epidemia, de febre hemorrágica e óbitos. Desde o primeiro semestre do ano passado as autoridades da saúde em Sorocaba vinham alertando sobre a previsão de uma epidemia da dengue. O índice elevado de infestação do mosquito transmissor, detectado em praticamente toda a cidade, em outubro, reforçou o alerta. Em novembro foi lançada a campanha ‘‘Xô Preguiça – Dengue Não’’, com o objetivo de orientar a população sobre o seu papel na prevenção da doença.
Na opinião de Milton Palma, uma situação mais grave no município foi evitada por conta das mais de 20 ações permanentes e de rotina para o combate à dengue, mantida pela Prefeitura, por meio da Área de Saúde Coletiva, das Seções de Zoonoses e de Vigilância Epidemiológica. A Prefeitura também possui um Comitê Municipal de Combate à Dengue que faz a revisão e atualiza as ações do Plano Municipal de Contingência da Dengue. E ainda, desde 2007, Sorocaba adquire testes rápidos para agilizar o diagnóstico. Em 2009 foi uma das primeiras cidades do Brasil a adquirir o teste NS1, que garante o resultado em 24 horas e a manter um motoboy para transportar as amostras de sangue para agilizar a realização dos exames.
Mapa-múndi da dengue
Sorocaba e ao menos outras 22 cidades paulistas estão assinaladas no mapa mundial da saúde com alerta para o risco de contaminação pelo vírus da dengue. Trata-se do HealthMap que pode ser acessado no endereço www.healthmap.org/dengue. O HealthMap fornece a situação atualizada de doenças infecciosas e tem a intenção de ser usado como um guia para a população mundial. Ele é mantido pela agência Centers for Disease Control and Prevention, um órgão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos da América. Esse Departamento é o equivalente nos EUA ao Ministério da Saúde no Brasil.
Apesar das questões terem sido enviadas via Secretaria de Comunicação, ninguém Prefeitura respondeu sobre o fato de Sorocaba ter sido incluída no mapa mundial da dengue e quais consequências isso pode causar em relação a investimentos e o turismo no município. Divulgou que, em algumas cidades de São Paulo, como São José do Rio Preto, Araraquara e Ribeirão Preto, foram registrados mais de mil casos da doença só neste ano, caracterizando epidemia. Ainda que, em alguns Estados, como Goiás e Mato Grosso, os surtos espalharam-se e o número de casos multiplicaram-se em 2010.
Apelo
A Secretaria da Saúde alerta que o cidadão não deve esperar o agente bater na porta. ‘‘Não podemos estar em todas as casas, todos os terrenos, e todas as construções uma vez por semana, é impossível. Mas é esse o prazo suficiente para os ovos tornarem-se larvas e nascerem até 200 mosquitos em um único pratinho de planta. Por isso dizemos que a responsabilidade é de cada um’’, acentua Nila Puglia, da Zoonoses.
Fonte:www.cruzeirodosul.inf.br