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Terremoto de 7,2 graus atinge o Chile minutos antes da posse de Piñera; governo emite alerta de tsunami

Cerca de 20 minutos antes da posse do presidente Sebastián Piñera, um forte terremoto de 7,2 graus na escala Richter atingiu o Chile, na manhã desta quinta-feira (11), de acordo com o Instituto de Sismología dos Estados Unidos. Foi a réplica mais forte desde o megaterremoto de 8,8 graus de 27 de fevereiro.

O novo governo emitiu alerta de tsunami, já que o epicentro foi próximo à costa chilena. O alerta do Serviço Hidrográfico e Oceanográfico (SHOA, na sigla em espanhol) da Marinha chilena recomenda à população das localidades litorâneas seguir para lugares altos entre as regiões de Valparaíso e Los Lagos, mil quilômetros ao sul de Santiago.

“Colocamos o alerta de tsunami preventivamente para os locais do litoral com até 15 metros do nível do mar”, afirmou na saída da posse o novo ministro da Defesa, Jaime Ravinet.

O tremor assustou os presentes na cerimônia de posse no Congresso chileno, em Valparaíso (cidade 120 km a oeste de Santiago). Alguns jornalistas correram e as autoridades se surpreenderam. Após a cerimônia de posse, o Congresso Nacional foi evacuado de modo preventivo.

Houve um segundo tremor, dez minutos depois, também forte, com intensidade de 6,4 na escala Richter. Nem Piñera nem Michelle Bachelet estavam no Congresso no momento do primeiro tremor. No segundo sismo, Bachelet estava em carro aberto saudando o público, enquanto o ainda presidente eleito estava já dentro do Congresso, que só teve algumas lâmpadas derrubadas (os parlamentares olhavam constantemente para cima, afinal, o prédio ficou com rachaduras após o megaterremoto).

Presente no Chile, o presidente do Peru, Alan García, brincou com a situação: “Deu para dançar um pouco com esse balançar”. Uma terceira réplica, mais leve, aconteceu às 12h10, quando Bachelet já estava no Congresso para transmitir o cargo para Piñera. As autoridades esperaram o movimento diminuir e começaram os discursos solenes.

O epicentro do tremor de 7,2 de hoje foi na região de O`Higgins, ao sul de Santiago. O tremor durou mais de um minuto. Em Concepción, cidade mais atingida pelo megaterremoto de duas semanas atrás, houve pânico, porque objetos caíam das casas.

A transferência do poder da presidente socialista Michelle Bachelet para Sebastián Piñera ocorreu numa austera cerimônia, com tom menos festivo do que o habitual em respeito ao luto nacional devido ao terremoto. O recém-empossado chefe de Estado chileno, de 60 anos, recebeu a faixa presidencial das mãos do presidente do Senado, Jorge Pizarro. Os presentes no Congresso aplaudiram Bachelet e Piñera, que, em seguida, cantaram o hino nacional.

Piñera vai a Constitución — uma das mais afetadas pelo terremoto de fevereiro – à tarde para seu primeiro discurso, quando anunciará suas primeiras medidas como presidente. Lá, as pessoas já estão voltando para suas casas, depois de ficarem por mais de uma hora no morro, para onde se dirigiram após o alerta de tsunami. Piñera continuou a pedir atenção ao tsunami. “Quero que obedeçam o alerta de tsunami preventivo. Não quero deixar as pessoas alarmadas. Mas é bom ter precauções”, disse Piñera após a saída da posse ainda em Valparaíso.

Para financiar a reconstrução, o novo governo deve emitir títulos internacionais e aproveitar as reservas advindas da exportação de cobre.

As autoridades chilenas já identificaram 497 mortos pelo terremoto e pelos tsunamis do dia 27 de fevereiro. A gestão Bachelet chegou a falar em 802 mortos, mas reduziu a cifra ao perceber que ela incluía, por engano, listas de desaparecidos.

Bachelet 2014

Michelle Bachelet se despediu nesta quinta-feira de ministros e funcionários do palácio presidencial de La Moneda pouco antes de deixar o cargo, em meio a clamores pela sua reeleição em 2014, embora tenha pedido para não especular com essa possibilidade.

Nas imediações de La Moneda dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres exibindo faixas e cartazes, pediram a sua reeleição daqui a quatro anos, quando serão realizadas novas eleições presidenciais.

“Em 2014 vamos repetir o prato”, disse uma mulher que, junto com outras amigas, exibia uma enorme faixa com os dizeres “Obrigada, presidente, nos vemos em 2014″.

Com a saída de Bachelet, primeira mulher a ser presidente do Chile, chega ao fim uma era de duas décadas de governo da aliança de centro-esquerda conhecida como a Concertação, que chegou ao poder após a queda da ditadura de Augusto Pinochet. 

Comunistas de volta

Com a posse de Sebastián Piñera, a direita volta ao poder desde a saída do ditador Augusto Pinochet, em 1990. Mas nesta quinta-feira (11) também os comunistas voltam à cena política depois de 37 anos de banimento. Três deputados do PC chileno foram eleitos e assumiram seus cargos no Congresso, em Valparaíso. Os comunistas estavam ilegais desde a ditadura, e as forças militares pressionavam para que não voltassem à legalidade, mas os partidos de sustentação de Michelle Bachelet, os socialistas e democratas-cristãos, aprovaram a volta do PC.

fonte: uol.com.br

11 de março de 2010 por antena1
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