O Banco Pérola responde por um programa inédito no país, voltado para oferta de microcrédito para jovens empreendedores, com idade e 18 a 29 anos.
A instituição é o braço financeiro da Associação Projeto Pérola, uma ONG (Organização Não-Governamental) que há quase dez anos já beneficiou mais de 18 mil jovens com cursos de inclusão digital e de cidadania.
O Banco Pérola foi o projeto selecionado por um concurso realizado pela Artemisia, uma organização internacional que trabalha para o desenvolvimento de negócios sociais. Concorreram com ele outros 160 projetos nacionais.
A premiação foi um apoio financeiro no valor de R$ 40 mil para a viabilização da implantação do projeto. Em funcionamento desde julho deste ano, o Banco Pérola já fechou seis contratos de microcrédito, com valor médio de R$ 500. “Pode parecer pouco, mas é o suficiente para o início de um negócio,” fala a presidente do Banco Pérola, Alessandra Gonçalves de França.
Iniciativa supre carência
A ideia do microcrédito para jovens empreendedores surgiu quando Alessandra presidiu a ONG Pérola. Ela disse que após passar pelos programas de capacitação, os jovens tinham dificuldade de colocar os projetos em prática por falta de recursos. “Sem experiência e comprovante de renda, eles não conseguem crédito nas instituições financeiras.”
Mas para ter acesso ao microcrédito, a presidente do Banco Pérola diz que o candidato passar uma criteriosa avaliação, com visitas domiciliares e estudo do potencial do negócios. Ela diz que a intenção é visitar os bairros onde o Projeto Pérola já autua e oferecer essa opção. O primeiro foi o Ana Paula Eleotério. Em dois dias foram apresentadas 40 propostas e seis delas foram selecionadas.
A intenção de Alessandra é buscar parceria com outras instituições no próximo ano para aumentar a carteira de recursos.
Jovens mulheres lideram os pedidos
As jovens mulheres empreendedoras representam 90% dos pedidos de microcrédito feitos ao Banco Pérola. Dos seis financiamentos já concedidos, todos têm como titulares uma mulher. Entre elas está Isabel Cristina Cardoso Neves, 27 anos.
Há um mês, ela tinha como renda fixa apenas o Bolsa Família, no valor de R$ 110, para sustentar sozinha os dois filhos, de 7 e 4 anos. Com o empréstimo de R$ 400 obtido por meio do microcrédito, ela conseguiu iniciar o seu próprio negócio: venda de sanduíche.
Isabel conta que há oito meses tinha conseguido comprar um carrinho usado, mas não tinha dinheiro para comprar a matéria-prima necessária. Agora está conseguindo aumentar sua renda para R$ 800 e já investiu na contratação de plano de saúde de seus filhos. “Veio em muito boa hora.”
Outra beneficiada com os recursos do Banco Pérola foi Gardênia Alves da Silva, 23 anos. Ela contratou um empréstimo de R$ 1 mil para a compra de produtos para reforçar o estoque da pequena mercearia que mantém no bairro Ana Paula Eleotério.
Ela e o marido investiram na reforma do prédio para melhorar as condições de atendimento, mas não sobrou dinheiro para manter a mercearia abastecida. “Agora ganhamos um fôlego maior para manter o negócio e investir em melhorias.”
A presidente do Banco Pérola disse que até agora o índice de inandimplência do financiamentos é zero. “As mulheres têm demonstrado uma grande responsabilidade sobre os negócios.”
Fonte: Agência Bom Dia