Um coro gregoriano entoando canções do pop contemporâneo ao estilo dos cânticos medievais. Inicialmente, a idéia do produtor Frank Peterson — que já trabalhou com Sarah Brightman e Enya — não parecia possível, mas foi levada a cabo com sucesso. Os dois primeiros Masters of Chant tornaram-se best sellers internacionais, com milhões de cópias vendidas e um disco de ouro para cada na Alemanha, Austrália, Bélgica, África do Sul, Singapura e outros países.
Para realizar o projeto, Peterson convidou os produtores Carsten Heusmann, Jan-Eric Kohrs e Michael Soltau, mais os cantores Richard Collier e Chris Tickner, que ajudaram a reunir a formação que compõe o Gregorian.
“Assim como os outros integrantes, eu cantei em vários lugares, no Reino Unido, Suíça e Bélgica, em corais, ópera e recitais. Aceitei participar do projeto por essa fascinante combinação do antigo com o novo”, diz Collier.
Tickner também é experiente, ele passou muitos anos cantando em igrejas londrinas como profissional. Ele foi contatado por John Langley, que, em nome de Frank Peterson, estava fazendo sessões de gravação para formar o grupo do projeto. “Comecei a cantar em igrejas em 1958 e fui um dos primeiros coristas da Catedral de Guildford, no famoso coro de Barry Rose. Mais tarde ingressei na Universidade de Londres para estudar canto com John Carol Case e Laura Sati”, conta Tickner. “Quando não estou em turnê ou gravando com o Gregorian, canto regularmente em coros em Londres e na Suécia.”
Apesar do Gregorian ser composto por cantores experientes, não é fácil selecionar canções que possam ser transpostas em cânticos. Poucas soam de acordo com uma regra básica entre os produtores, como explica Peterson: “A música gregoriana utiliza apenas sete tons. Quando surgem semitons em uma composição, somos obrigados a deixá-la de lado por algum tempo”.
“Achar as canções certas é difícil porque você nunca sabe quais podem ser adequadas aos arranjos gregorianos e, às vezes, você tem uma surpresa, como aconteceu com ‘Blue Monday’, do New Order — originalmente uma música dance eletrônica, quer foi transposta para uma outra atmosfera sem perder a essência”, completa Carsten Heusmann.
Em canções como ‘Wish You Were Here’ do Pink Floyd, ou ‘Starway to Heaven’ do Led Zeppelin — incluídas em Masters of Chants Volume II (2001) — não houve grandes problemas, mas ‘Sacrifice’ de Elton John foi páreo duro. Os produtores gravaram playbacks para discutir os arranjos e a contribuição do guitarrista Pete Weihe foi crucial para encontrar a solução que possibilitou incluir ‘Sacrifice’ no repertório. “A música de Weihe é muito atmosférica, as sessões com ele são sempre inspiradoras”, afirmou Michael Soltau.
A maioria das sessões de voz da série Masters of Chant foi gravada no Angel Studio, em Londres, que na verdade é uma igreja convertida em estúdio. O produtor Jan-Eric Kohrs diz que o lugar é perfeito, “porque soa muito gregoriano”.